Não sou crítico de cinema. Nunca estudei as diferentes técnicas de filmagem e quando devem ser usadas. Na verdade nunca estudei a técnica de nada que envolva cinema – talvez uma pequena exceção para computação gráfica. Logo, não sou o melhor crítico que você poderia achar na grande rede. Ainda assim acho que tenho bom gosto, afinal, bom gosto não tem nada a ver com saber as técnicas ou teoria.
Se você confia que eu tenho bom gosto, então assista The Book of Eli (O Livro de Eli) (2010). Resumo dezenas de linhas de crítica em: “o filme é bom, tem uma trilha sonora fantástica e uma boa sacada“. Pronto, nada exagerado não? Agora você já pode decidir o que fazer.
Eu costumo ler a críticas de outros expectadores após ver um filme, só pra saber se a reação deles foi parecida com a minha. Acho que a média ficou em 50-50. O que mais me impressionou, no entanto, foi o maior motivo, dos que não gostaram, de não terem gostado; não tem nada a ver com o filme. É visão de mundo. Quando você assistir deve entender o que quero dizer. Além disso vi cometários risíveis.
Uma colega me contou certa vez que uma pessoa criticou um desenho porque um ser humano não havia morrido após ter sido baleado no rosto com uma escopeta, disparada por um cão falante e racional. Quer dizer, o cara critica o fato da pessoa não ter morrido mas não critica o gerador do “evento absurdo” que talvez seja ainda mais absurdo: um cão falante capaz de disparar uma escopeta de forma certeira! É brincadeira?! Então, foi isso que eu vi em alguns comentários sobre The Book of Eli.
Cara, é um filme, e nem tenta ser real; é a chamada licença poética. Deixa o roteirista passar a mensagem da maneira dele. O objetivo de The Book of Eli é falar de algo já muito falado mas de uma maneira diferente.
Alguns reclamam que muita coisa ficou sem explicação. E daí?! A explicação vai fazer alguma diferença para o que o filme quer realmente passar? Se fizer, tudo bem, falha do filme, senão “boa!” – deixa de fora mesmo.
Fiz o máximo pra não revelar nada do filme; será bom descobrir os segredos on-demand, com a visão de um ambiente pós-apocalítptico.